Marabá, 24 de novembro de 2020

A correção fraterna e a obediência na regra de São Bento

09 de novembro de 2020   .   

A correção fraterna e a obediência na regra de São Bento

Por Dom Vital Corbellini, Bispo de Marabá- PA

            Introdução

            A regra de São Bento influenciou muito a igreja antiga entre os monges e também foi aquela que em muito direcionou as regras da vida religiosa na idade média, correspondida também pelos que formularam os fundadores de outros mosteiros. Se hoje temos o conhecimento da regra beneditina, é claro que a fonte primária da vida de São Bento, veio de São Gregório Magno no livro Diálogos[1], Papa de 590 até 604. Ele elaborou muitas coisas a respeito de São Bento onde se estabeleceu a Monte Cassino e lá fundou um mosteiro compondo a regra para os seus cenobitas. A sua fama de santidade se estendeu em muitas partes do mundo[2]. São Bento deve ter morrido em 547.

            A regra de São Bento sintetiza a volta para Deus, por meio da obediência, debaixo da guia de Cristo do qual não se deve antepor nada. Ela tem presente à meditação sobre Deus, sua Palavra e a importância do trabalho[3]. A seguir analisemos os itens da correção fraterna e da obediência a partir de sua regra formulada.

            O valor da correção fraterna

            Em relação à correção fraterna São Bento afirmou que toda a idade e inteligência devem ter um tratamento apropriado[4]. Com isso ele queria dizer que toda a vez que um monge cometesse falta grave, recebesse a punição, mas com caridade, com amor pelos seus irmãos. O fato é que a Palavra de Deus sobre a correção fraterna deveria guiar a vida dos monges, onde o Senhor pede para que os seus discípulos se corrijam com amor (cfr. Mt 18, 15-16).

            Em outra parte de sua regra, São Bento teve presentes à relação entre os monges idosos e os monges jovens. Sabemos que no movimento monacal dos primeiros séculos muitas vezes havia divergências entre essas duas partes. São Bento tinha uma palavra bem objetiva neste sentido qual seja a natureza humana fosse levada à compaixão em relação a essas duas idades, isto é dos idosos e dos jovens, a autoridade da regra forneceria a eles[5]. São Bento exortava que se levassem em conta à vida das pessoas, marcadas pelas debilidades das mesmas de modo que não deveria aplicar o rigor da regra em relação aos alimentos, mas tenha para eles uma afetuosa consideração[6]. Vemos

[1] Cfr. Hubertus R. Drobner, Patrologia. Istituto Patristico Augustinianum. Edizione Piemme, Casale Monferrato, Asti, 1998, pg. 657. Ver também: M. Spinelli, Gregorio Magno, In: Nuovo Dizionario Patristico e di Antichità Cristiane, diretto da Angelo Di Berardino. Institutum Patristicum Augujstinianum, Marietti, Genova- Milano, 2007, pg. 2447.

[2] Cfr. São Gregório Magno, São Bento, Vida e Milagres, Segundo livro dos Diálogos. Edições Subiaco, Juiz de Fora-MG, Edições Lumen Christi, Rio de Janeiro, 2014.

[3] Cfr. Hubertus R. Drobner, Patrologia. Istituto Patristico Augustinianum. Idem, pg. 641.

[4] Cfr. La Regola di San Benedetto e le regole dei padri, a cura di Salvatore Pricoco, XXX, 1-2. Fondazione Lorenzo valla, arnoldo mondadori editore, Verona, 1995, pg. 197.

[5] Idem, XXXVIII, pg. 207.

[6] Ibidem.

como o fundador dos mosteiros beneditinos observava bem a vida das pessoas, para que os monges vivessem bem dentro dos mosteiros onde todos se compreendiam e buscasse a fraternidade, o amor entre eles e com Deus.

            A consideração sobre a obediência

            Nós percebemos na regra beneditina a importância da obediência seja para com o abade, seja entre os próprios monges. A obediência é uma atitude de ouvir, de escutar com atenção o outro e de assumir um comportamento pelo qual uma pessoa assume as ordens dadas por outro. É uma atitude bíblica, onde o próprio Senhor apreendeu a obediência, por aquilo que padeceu (cfr. Hb 5,8). Neste sentido São Bento pedia para que se obedecesse ao abade sem restrições, e que a obediência estivesse também presente entre os monges[1]. Ele especificava que a obediência seria o caminho que levaria a todos a Deus[2]. Este dado é muito importante na qual a pessoa que obedece está em comunhão com os seus superiores e com o próprio Deus. A obediência torna as pessoas humildes, desprovidas de tudo para amar a Deus, ao próximo como a si mesmo. Diante das ordens que fossem dadas pelos abades, todos eram convidados a obedecer com solicitude e com caridade[3]. A pessoa obedece pela caridade, porque é nesta perspectiva que a vida humana se desenvolve e leva a pessoa até Deus. São Bento colocava também a importância da superação de descontentamento em relação ao superior para que em tudo houvesse uma penitência as coisas dadas e essas se revertessem em benção de Deus[4]. A caridade deve reinar em tudo.

            Era preciso que os monges cultivassem um zelo bom que afastasse as pessoas dos vícios, as conduzisse a Deus e à vida eterna. Esse zelo fosse exercitado entre os monges com um amor muito forte, para que a estima entre os monges fosse um fator de convivência fraterna, para que todos se suportassem com muita paciência as próprias enfermidades físicas e morais, fazendo com ardor a obediência recíproca, ao abade, praticando desta forma o amor fraterno, temendo sempre a Deus e nada se antepondo a Cristo Jesus[5].

            Esses dados na regra de São Bento são importantes na convivência entre nós, nas comunidades, com as pessoas, os povos, para que o amor a Deus, ao próximo como a si mesmo reine em nossas vidas, de seguidores, seguidoras do Senhor, e sejamos missionários e missionárias de Cristo e de sua igreja na realidade atual.

[1] Cfr. Idem, LXXI, pg. 269.

[2] Cfr. Idem, LXXI, pg. 269.

[3] Cfr. Ibidem.

[4] Cfr. Ibidem.

[5] Cfr. Ibidem, pg. 271.

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