Marabá, 19 de abril de 2021

A Igreja, os sofrimentos do povo pela CFE 2021 e orações.

16 de março de 2021   .   

A Igreja, os sofrimentos do povo pela CFE 2021 e orações.

Por Dom Vital Corbellini, Bispo de Marabá – PA.

            Todos sabemos que estamos passando por um momento difícil praticamente em todo o Brasil, sobretudo com um sistema de saúde público e privado em colapso. Os sofrimentos da população são causados por diversos aspectos e particularmente pela covid 19 decorrentes de novas variantes como a T1 e de outras que estão surgindo ainda mais letais do que o vírus da primeira onda.

A Campanha da Fraternidade Ecumênica 2021 (CFE) coloca-nos a importância da solidariedade diante dos sofredores da sociedade. A Igreja não está alheia aos sofrimentos do povo de Deus e por isso suplica ao Senhor nossas orações, a força de poder continuar a caminhada de fé, de esperança e de caridade.

A missão de Cristo e da Igreja

A Igreja como seguidora de Jesus Cristo está ao lado de todas as pessoas, mas, sobretudo dos pobres, dos sofredores, dos necessitados. Jesus Cristo, retomando o profeta Isaias (cfr. Is 61, 1s) disse que o Espírito do Senhor estava sobre Ele, pois o ungiu para evangelizar os pobres, proclamar a liberdade aos presos, e aos cegos, a visão, para pôr em liberdade os oprimidos e para proclamar um ano da graça do Senhor (cfr. Lc 4,18-19). A missão do Mestre ocorreu desta forma dando a sua vida pela humanidade, além de expulsar os demônios e ressuscitar os mortos.

A igreja sempre atenta e com olhar dedicado à realidade social não poderia estar alheia a tantas pessoas que sofrem por causa e, sobretudo por aqueles que foram alcançados por esta pandemia.

O Concílio Vaticano II colocou a importância de a comunidade eclesial estar junto das pessoas porque isso é vida a ser preservada em vista da sua plenitude. É fundamental que as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias das pessoas do mundo atual, sobretudo em referência aos pobres e de todos aqueles que sofrem, sejam também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo. Na verdade não deve ter uma realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração. A comunidade eclesial é formada por pessoas humanas, que, reunidas em Cristo, são guiadas pelo Espírito Santo na sua peregrinação em demanda do Reino dos céus, e receberam a mensagem da salvação para comunicá-la a todos. Por este motivo, a Igreja sente-se real e intimamente ligada ao gênero humano e à sua história (cfr. LG 1). A Igreja está presente no mundo das pessoas e das comunidades para dar-lhes a força da vida, da paz e do amor que vem do Senhor Deus Uno e Trino.

A CFE e situações de sofrimento

A CFE 2021 aludiu ao público, às diversas situações de sofrimentos que abalam a vida humana. Vimos e vemos ainda discursos negacionistas sobre a realidade e fatalidade da Covid 19, a negação da ciência e do papel da ONU, da OMS. A pandemia também colocou às desigualdades econômicas e sociais, o retorno do Brasil ao mapa da fome, o desemprego, o aumento dos moradores de rua, as mortes de pessoas, sobretudo de mulheres, e dos povos indígenas. A impressão que está ocorrendo é a cultura da indiferença e da falta de empatia diante dos sofrimentos.

Como reflexo da crise da pandemia, vemos a situação de hospitais que estão superlotados com os infectados não tendo mais vagas de UTIs, em alguns lugares, com taxa de ocupação acima dos 100%, de modo que muitos morrerão sem a devida assistência médica, hospitalar. Os meios de comunicação social vem mostrando dia a dia as pessoas emocionadas, chorando desesperadas diante da superlotação das unidades hospitalares, e como conseqüência trágica a de optar por uma pessoa, deixando a outra sem nenhum atendimento.

Uma realidade chocante vinculada pelos meios de comunicação referiu-se à situação de bebês órfãos de mães que deram a vida nos seus partos, mas que acabaram morrendo por causa do Covid 19. Todas essas situações relatam sofrimentos nos quais a Igreja, seguindo a Cristo Senhor, o médico das almas e dos corpos, alude-nos ao seguimento das normas sanitárias, à solidariedade, à oração.

As normas sanitárias

A Igreja segue o ritmo das normas sanitárias ressaltando o uso de máscaras, álcool gel, a comunhão dada na mão, distanciamento social, e a valorização das vacinas. Pela Igreja e entidades temos também a solidariedade, caridade de nossas comunidades aos sofredores, com alimentos e outras ajudas. Ainda que esteja em ritmo lento, mas aos poucos a vacinação está ocorrendo entre as pessoas. Ela é muito importante porque dará maior segurança à convivência social.

Pelo Governo federal deverá ter novamente o auxilio emergencial que beneficiará muitas famílias e pessoas. Um dado que está deixando os cientistas preocupados são as novas variantes que estão surgindo, uma que foi no Brasil e outras em diversos lugares do mundo, de modo que a vacina deverá responder as questões dessas variantes para imunizar as pessoas. A esperança pela vacina ajudará a ter uma segurança em nossa convivência uns com os outros de irmãos e de irmãs em Jesus Cristo.

A importância do diálogo, compromisso de amor

A CFE 2021 ressalta o diálogo, compromisso de amor. Nesses dias a CNBB e outras cinco entidades signatárias do “Pacto pela Vida e pelo Brasil” entregaram um documento com o titulo “O povo não pode pagar com a própria vida” à coordenação do Fórum Nacional de Governadores, ressaltando o apoio aos esforços de governadores e prefeitos para a garantia de proteção das medidas sanitárias e a imunização da população. É o diálogo, como compromisso de amor que está se ressaltando em vista da vida sobre a morte de muitas pessoas da Covid 19.

As orações

Em muitas igrejas particulares, em paróquias e comunidades de fé se ressalta a importância de ter uma jornada de oração para todas as pessoas atingidas pela Pandemia ou outras doenças. A jornada de oração poderá perdurar todo o dia ou, simplesmente, ser realizada em algum momento deste. O importante é que a pessoa faça ao menos uma oração rogando a Deus pelo fim da pandemia e de tantas vidas que vem ceifando. Sigamos firmes na misericórdia do Senhor que nos ampara nas dificuldades encontradas na realidade humana.

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