Marabá, 27 de janeiro de 2021

Endireitai as suas veredas (cfr. Is 40,3), segundo os Padres da Igreja

14 de dezembro de 2020   .   

Endireitai as suas veredas (cfr. Is 40,3), segundo os Padres da Igreja

Por Dom Vital Corbellini, Bispo de Marabá, PA.

            Os padres da Igreja que foram os primeiros escritores cristãos elaboraram diversos argumentos, a partir sempre da Sagrada Escritura, sobre o advento, como tempo de preparação para o santo Natal, a sua vinda no meio de nós e de toda a humanidade em vista da salvação humana. A missão de São João Batista foi importante em vista da vinda do Senhor. O advento era percebido como tempo de conversão e por isso eles convocavam a todos para endireitar as veredas, os caminhos para deste modo, acolher bem nos corações e na comunidade o Cristo, Filho de Deus.

Orígenes, padre do século III afirmou a importância da palavra de Deus que foi dirigida a João, filho de Zacarias, no deserto(cfr. Lc 3,2) no sentido do deserto espiritual porque quem prega no deserto não há ninguém que o escute. O precursor de Cristo, a voz que grita no deserto, prega no deserto da alma que não tem paz. A lâmpada que brilha, prega um batismo de penitência para a remissão dos pecados, pois segue a luz verdadeira (cfr. Jo 1,9), quando a lâmpada mesma disse: que era preciso que o Messias crescesse e ele diminuísse (cfr. Jo 3,30). O Senhor quer encontrar em nós um caminho para poder entrar nas nossas almas de modo que é necessário endireitar as suas veredas (cfr. Is 40,3). A voz penetra o ouvido, de modo que João anunciou a Cristo Jesus afirmando que era preciso preparar um caminho para o Senhor. O coração deve acolher o caminho do Senhor, para que o Verbo feito carne, possa viver em nós[1].

São Cromácio de Aquiléia, Bispo dos séculos IV e V, teve presente o ponto do Reino dos céus que é próximo. João Batista preparou os caminhos do Senhor conforme a palavra dos evangelhos e este ponto já estava também presente pela profecia de Davi que dizia a necessidade de preparar uma lâmpada para o Cristo (cfr. Sl 131, 132, 17). João Batista sendo precursor e servo do Senhor preparou o caminho da salvação e da fé no coração dos fiéis, para que eliminados os vícios dos pecados, pela sua confissão, aquilo que fora abaixado pelo pecado fosse elevado ao nível da vinda do Senhor, de modo que o Messias provasse o prazer em prosseguir um caminho longo o qual não haveria impedimento ou infidelidade. João preparou os caminhos de misericórdia, de fé, de justiça, de amor. Por isso mesmo João dizia que o Reino dos céus estava próximo (cfr. Mt 3,2). Se tirarmos as pedras do caminho (cfr. Jr 50,26) o rei, o Cristo, cujo louvor e glória é para sempre, assim como através das trilhas, Ele entre e faça parte nos pensamentos do coração e nos movimentos da alma humana[2].

São Pedro Crisólogo, bispo no século IV, colocou a missão de João Batista, como o anunciador dos anunciadores de Cristo, o testemunha dos testemunhas. Ele viu o Espírito Santo descer do céu para pousar sobre Ele de forma espiritual e material (cfr.

[1] Cfr. Origene, Omelie sul Vangelo di Luca 21, 3-7. In: Nuove Letture dei giorni, testi dei padri d´oriente e d´occidente per tutti i tempi liturgici. Scelta a cura dei fratelli e delle sorelle della Comunità di Bose. Edizioni QIQAJON, Comunità di Bose. 2012, Magnano (BI), pgs. 31-32.

[2] Cfr. Cromazio di Aquileia, Commento a Matteo 8, In: Nuove Letture dei giorni, testi dei padri d´oriente e d´occidente per tutti i tempi liturgici, pgs. 35-36.

Mt 3,16). No cárcere João Batista enviou os seus discípulos para perguntar Àquele que perscruta os corações, da pessoa que conhece os outros no seu intimo. O precursor os enviou para Jesus, porque o aspecto humano não perturbasse aqueles que deviam ser confirmados pelos sinais do poder de Deus. Por isso o Senhor que sabia a justificativa de João no qual os tinha enviado, de modo que respondeu com as obras antes que com as palavras pois eles deveriam referir a João tudo aquilo que ouviram e viram no caso os cegos vêem, os coxos caminham, os leprosos são purificados, os mortos ressuscitam, os pobres recebem a boa nova e feliz quem não será escandalizado por causa de Jesus (cfr. Mt 11, 4-6)[1].

Santo Agostinho, bispo de Hipona, nos séculos IV e V afirmou a necessidade do testemunho de um homem, no caso, João para a vinda do Senhor. Ele veio como testemunho, para dar testemunho à luz, para que todos acreditassem por seu intermédio (cfr. Jo 1,6-7). O bispo de Hipona levantou esta pergunta: quem é portanto essa pessoa que deu testemunho à luz? É certamente grande, este se chamava João, fornecido de grandes dons, verdadeiramente sublime. João era uma luz, mas não era a luz verdadeira, porque mediante a iluminação tornou-se luz. Deus teve um ser humano como testemunho, em benefício do próprio ser humano, tanto é grande a nossa debilidade. Com a lâmpada procuramos o dia e esta lâmpada é João do qual o Senhor disse que ele era uma lâmpada que brilha para o Senhor[2].

A figura de São João Batista colocou a vinda do Senhor bem significativa na humanidade, no sentido da preparação das pessoas para que as veredas fossem bem endireitadas, os vales fossem aterrados e o Senhor pudesse ser acolhido nas pessoas, sobretudo nos pobres e no mundo. O advento é tempo de preparação, de oração, de maior participação, de obras de caridade para que assim o Senhor nos encontre bem vivendo o seu mandamento de amor a Deus, ao próximo como a si mesmo.

 

[1] Piero Crisologo, Discorsi 179,1-3. In: Nuove Letture dei giorni, testi dei padri d´oriente e d´occidente per tutti i tempi liturgici, pgs. 35-36.

[2] Cfr. Agostino di Ippona, Commento al Vangelo di Giovanni, 2,5-6.8. In: Idem, pgs. 38-39.

 

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