Marabá, 18 de maio de 2024

O dia mundial dos pobres e a partilha de vida na caridade

10 de novembro de 2023   .   

Por Dom Vital Corbellini, Bispo de Marabá – PA.

            O Papa Francisco escolheu uma frase bíblica muito importante para o sétimo dia mundial dos pobres, dois mil e vinte três: “Nunca afastes teu olhar de algum pobre” (Tb 4,7)[1], salientando a superação da indiferença diante de alguma pessoa que sofre mais que a pessoa, levando o fiel a viver a misericórdia, a paz e amor para com os pobres.

            Sinal da misericórdia do Pai.

            O Papa afirma que este dia seja profundo pela misericórdia do Pai, presente a caminhada das comunidades, da Igreja, como uma pastoral da Igreja, para descobrir sempre mais o conteúdo do Evangelho. Há uma acolhida em relação aos pobres de uma forma até cotidiana. Porém é preciso fazer algo a mais, ouvir o grito deles que parece ser sempre mais forte, por ajuda, consolo, solidariedade. O domingo que antecede a festa de Jesus Cristo, Rei do Universo, as pessoas estarão reunidas na mesa da eucaristia para voltar a receber o compromisso de servir os pobres[2].

            O texto bíblico.

            Era uma referência a Tobite, pai de Tobias, que estava prestes a fazer uma longa viagem, de modo que ele temia não ver mais o seu filho, mas ele lhe deixou o seu testamento espiritual. Sendo deportado para Nínive, estava cego, mas confiava no Senhor. Como um pai preocupado com o seu filho, deseja-lhe que caminhasse na justiça, no amor aos mais necessitados[3]. O Tobite pediu para o seu filho para que nunca ele afastasse o seu olhar aos pobres, para que assim o olhar de Deus estivesse sempre nele[4].

            Atos de misericórdia.

            Tobite ficou cego após a prática de atos de misericórdia, pois desde a sua juventude fez obras de caridade, dando esmolas aos seus irmãos que com ele foram levados à terra do exílio em Nínive, na qual forneceu pão aos que tinham fome, e, dava sepultura aos que estavam mortos (Tb 1,3.17)[5].

            A partilha.

            O Papa Francisco continua a sua reflexão pelo texto bíblico onde ele colocou que Tobite quis num almoço em festa de Pentecostes, a festa das semanas, de modo que ele pediu ao seu filho, Tobias para que ele fosse a Nínive apanhar um pobre para que comesse com eles. O desejo do Papa é que isso se torne realidade no dia mundial dos pobres, que após a Eucaristia, haja a partilha do almoço dominical com os pobres. Tendo a consciência que ao redor da mesa do Senhor todos são irmãos e irmãs, a fraternidade se tornará visível pela partilha de alimentos na festividade dominical[6].

            A firmeza de Tobite.

            O desejo de Tobite não foi realizado de uma forma plena, porque Tobias encontrou sim um pobre, mas que fora morto no meio da praça. O pai Tobite foi enterrar aquela pessoa. Na volta ficou cego por causa de excrementos de pássaros ao descansar no pátio de casa (Tb 2,1-10). No final da vida recobrou a vista, por graça de Deus e pode ver ainda o seu filho Tobias (Tb 11,13-14). O Papa coloca a questão da firmeza de Tobite: Donde vem toda a força que Tobite realizou no meio daquele povo pagão no amor a Deus e ao próximo? Ele diz que ela vem do Senhor que sustenta os pobres, os humildes e todas as pessoas que o amam de coração sincero. Ele faz para as pessoas as tornarem firmes nele[7].

            A recomendação de Tobite.

            O Papa realçou a recomendação de Tobite, no período de sua provação e pobreza ao seu filho para que não desviasse do olhar de algum pobre, na verdade de todo o pobre, porque impediria à própria pessoa de se encontrar com o rosto do Senhor Jesus no próprio pobre. O pobre é o próximo da pessoa que segue o Senhor, de todo o pobre ou forma de pobreza, sacudindo desta forma a poeira da indiferença e todo bem-estar ilusório[8].

            O momento histórico desfavorável aos pobres.

            Na sua mensagem falou o Papa Francisco de um momento desfavorável à vida dos pobres, pela valorização do bem-estar cada vez mais alto, em desconsideração à situação de pobreza de muitas pessoas, exaltam-se as qualidades físicas em detrimento dos sofrimentos das pessoas, a realidade virtual sobrepõe-se à vida real de modo que a parábola do bom samaritano ilumine as pessoas para agir em favor dos mais necessitados, a praticar a caridade, vocação de todo o fiel cristão[9].

            O reconhecimento das pessoas para com os pobres.

            O Papa louva a Deus pelo fato de muitas pessoas, homens e mulheres, as quais se dedicam aos pobres e excluídos da sociedade, praticam a hospitalidade e empenham-se a encontrar soluções diante de situações de marginalização e sofrimentos. São pessoas que escutam os anseios dos pobres e buscam alternativas diante dos desafios encontrados, atentas às suas necessidades materiais e espirituais, de modo que o Reino de Deus torna-se presente no serviço generoso, na qual a semente dá fruto bom na vida das pessoas para a glória de Deus (Lc 8, 4-15)[10].

            O bem comum.

            O Papa fala na necessidade de toda a sociedade, governos e entidades civis para o bem comum. Ele tem presente as guerras que privam as populações e crianças de um presente sereno e de um futuro mais digno de vida. Ele faz um apelo para que a paz se afirme sempre mais, como dom do Senhor Ressuscitado e fruto do empenho da justiça e do diálogo[11].

            Os pobres são pessoas.

            O Papa Francisco tem presentes a facilidade de cair na retórica ou em números quando se fala de pobres. No entanto é fundamental afirmar que os pobres são pessoas, tem rosto, possuem uma história, coração e alma, com valores e defeitos, como todas as pessoas, mas que é importante estabelecer uma relação com eles[12].

            Gestos concretos.

            O livro de Tobias, segundo o Papa Francisco impulsiona as pessoas seguidoras do Senhor na busca de gestos concretos em relação aos pobres, buscando a harmonia necessária para que a comunidade ajude as pessoas pobres. A atitude para não desviar o olhar do pobre possibilite gestos concretos, políticas públicas, a caridade para uma vivência digna dos necessitados e pobres[13].

            A vivência do Evangelho.

            A solicitude para com os pobres seja um sinal da vivência do Evangelho de Jesus Cristo. É preciso ajudá-los para fazê-los sair da situação de pobreza, e perceber neles a presença do Senhor Jesus porque foi a Ele que as pessoas realizaram o bem (Mt 25, 40). O Papa Francisco termina a sua mensagem para o Dia Mundial dos Pobres, tendo presente a necessidade da caridade, ponto presente também em Santa Terezinha do Menino Jesus e de Santo Antônio, na qual disse que é Patrono dos pobres, porque escreveu neste dia, 13 de junho de 2023, de modo que ninguém desvie o olhar do pobre, para encontrar nele o rosto humano e divino do Senhor Jesus Cristo[14].

[1] Cfr. VII Dia Mundial dos Pobres, 2023: «Nunca afastes de algum pobre o teu olhar» (Tb 4, 7) | Francisco (vatican.va).

[2] Cfr. Ibidem, 1.

[3] Cfr. Ibidem, 1.

[4] Cfr. Ibidem, 2.

[5] Cfr. Ibidem,

[6] Cfr. Ibidem.

[7] Cfr. Ibidem, n. 3.

[8] Cfr. Ibidem.

[9] Cfr. Ibidem, 4.

[10] Cfr. Ibidem, n.5.

[11] Cfr. Ibidem, n. 7.

[12] Cfr. Ibidem, n. 8.

[13] Cfr. Ibidem.

[14] Cfr. Ibidem, ns. 9-10.

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