Marabá, 17 de julho de 2024

Reflexões marianas e patrísticas para o Círio de Nossa Senhora de Nazaré

17 de outubro de 2022   .   

Foto: Pedro Santos 

Por Dom Vital Corbellini, Bispo de Marabá – PA.

            Os círios que estamos realizando nos levam a Mãe do Filho de Deus. O clima é festivo, com muita alegria e amor. A invocação à Maria conduza os pedidos de todas as pessoas a Jesus. Os círios são momentos de graças, de muitas bênçãos de Deus através de Maria. Eles tomam conta de nossa realidade familiar, comunitária, social. Através dos meios de comunicação social, vemos as entrevistas que falam de Maria, da imagem de Nossa Senhora de Nazaré nas comunidades, nas ruas, nos carros, e também os cartazes nas portas, ou nos comércios, outdoors. É círio outra vez.

            O tema refletido.

            O Círio de Nossa Senhora de Nazaré de Marabá, neste ano, teve como tema: Maria, Mãe Educadora do Amor. O tema está ligado à Campanha da Fraternidade 2022 que diz: “Fala com sabedoria e ensina com amor” (Pr 31,26). Maria foi escolhida para ser a Mãe do Salvador, do Redentor. Ela disse sim ao plano de Deus. Maria é a serva do Senhor (Lc 1,38).. Ela foi percebida como a nova Eva, que foi obediente à Palavra do Salvador, como dizia Santo Ireneu de Lião[1].

Ela é Mãe porque gerou na carne o Filho de Deus, igual a nós em tudo, menos o pecado (Hb 4,15). Ela é chamada de Educadora porque ela educou o seu Filho na vida, na participação nas sinagogas e nas festas anuais do povo de Israel. É do amor. Tudo é feito com amor, porque a educação é realizada no amor em vista da superação da violência, da superioridade com os outros, do respeito com as pessoas, no amor a Deus, ao próximo como a si mesmo. O tema da educação é aprofundado pelo fato de que essa inicia em casa, é dado na escola, na comunidade e na sociedade como fala o Pacto educativo do Papa Francisco. A seguir ver-se-á considerações a respeito dos padres da igreja em relação à Maria, mãe do Filho de Deus na carne.

            O nascimento de Cristo Jesus.

            São Cirilo de Alexandria, bispo no século V afirmou que do momento em que a Virgem santa gerou fisicamente segundo a pessoa do Verbo de Deus unida à carne, as pessoas observam que Maria é também mãe de Deus. Como Ele era Deus desde toda a eternidade, o Verbo era Deus (Jo 1,1), sendo Criador do mundo, co-eterno com o Pai. Mas pelo fato de que unia a si mesmo a pessoa à natureza humana, assim ele submeteu-se ao nascimento físico pelo seio materno. Ele veio para abençoar o início de nossa existência, a natureza criada pelo Senhor[2].

            A maravilha de seu nascimento

            É fundamental ainda perceber neste autor a maravilha do nascimento de Jesus, pois aquele que nasceu da Virgem era do ponto de vista exterior, homem, mas intimamente, verdadeiro Deus. Ele teve o seu nascimento em uma virgem sendo a sua mãe. Ele sendo Deus, destinou a si, revestindo-se da humanidade, na plenitude dos tempos, uma maneira de nascer diversa daquele de outras pessoas. Ela foi chamada de Mãe de Deus e Virgem Mãe[3].

            O motivo por Maria ser bem-aventurada.

            Santo Agostinho, bispo de Hipona, nos séculos IV e V teve presentes as palavras do Senhor ao ser questionado sobre quem seriam a sua mãe, os irmãos, disse Jesus que eram todos aqueles que fazem a vontade do Pai de Jesus que está nos céus, de modo a ser irmão, irmã, e mãe em Cristo Jesus (Mt 12, 46-50). Maria fez a vontade do Pai, sendo ela, berm-aventurada, não somente pelo fato de ela ter gerado na carne o Filho de Deus, mas ela fez a vontade de Deus. Em outra passagem, o bispo de Hipona falou da manifestação de uma pessoa que disse que era bem-aventuradada o ventre que o carregou (Lc 11,27), de modo que disse Jesus bem-aventurados antes aqueles que ouvem a palavra de Deus e a observam (Lc 11,27-29). Santo Agostinho especificou que Maria no falar de Jesus era bem-aventurada porque ouviu e observou a Palavra de Deus[4].

            O sentido de ser chamada Maria, Mãe de Deus.

            São Vicente de Lérins, bispo no século V, afirmou que Maria é mãe de Deus, porque no Verbo foi unido Deus ao ser humano. A partir desta unidade as propriedades da carne foram atribuídas ao ser humano. Assim o Filho do homem desceu do céu (Jo 3,13) e o Senhor da majestade foi crucificado na terra (1 Cor 2,8). Assim Maria é Mãe de Deus no sentido de que nela cumpriu-se a união pessoal única e singular como o Verbo na carne é carne, assim o seu ser humano em Deus é Deus[5].

            As reflexões a respeito de Maria colocam a sua importância em comunhão com o nascimento de Jesus, o seu Filho, de modo a ser chamada Mãe de Deus. O fato é a sua unidade com a realidade humana na qual Maria gerou na carne o Filho de Deus. Maria, Mãe educadora do amor possibilite a importância da educação na família, na comunidade e na sociedade. Todas as pessoas são chamadas a viver o amor de Deus, em Jesus Cristo, no Espírito Santo através de Maria.

[1] Cfr. Ireneu de Lião, III, 22,4. Paulus, SP, 1995, pgs. 351-352.

[2] Cfr. Cirillo di Alessandria. Lettera a Nestorio, 2. In: La teologia dei padri, v. 2. Roma, Città Nuova Editrice, 1982, pg. 160.

[3] Cfr. Cirillo di Alessandri. Contro coloro che non riconoscano che Maria è Madre de Dio, 4, In: Idem, pg. 161.

[4] Cfr. Agostino. Commento al Vangelo di san Giovanni, 10,3. In: La teologia dei padri, v. 2, In: Idem, pg. 161.

[5] Cfr. Vincenzo de Lérins. Commonitorio, 15. In: Idem, pgs, 159-160.

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