Por Dom Vital Corbellini, Bispo de Marabá – PA.
A Igreja festeja o batismo do Senhor Jesus e com Ele festejamos o batismo de cada um de nós, porque o nosso batismo tem sentido pelo batismo de Jesus. Jesus foi batizado no Rio Jordão por São João Batista (cfr. Mt 3,13-15), santificando as águas do Rio, sendo Ele o autor do batismo. Ao sair das águas, o Espírito Santo desceu nele em forma de pomba e o Pai falou na nuvem que Ele era o seu Filho muito amado (cfr. Mt 3.16-17). Nós fomos batizados um dia de modo que nós recebemos a graça de sermos filhos adotivos e filhas adotivas de Deus Uno e Trino. O batismo nos compromete com Deus, com a família, com a comunidade e com a sociedade. Vejamos esta reflexão nos Padres da Igreja, os primeiros escritores cristãos.
A santificação das águas.
São Proclo de Constantinopla, Bispo no século V disse que Jesus pelo seu batismo, santificou as águas e iluminou os corações das pessoas humanas que recebem o batismo em nome da Santíssima Trindade. Ele manifestou-se ao mundo e desta forma pôs ordem onde havia desordem, enchendo-o de beleza e alegria o universo. Ele tirou o pecado do mundo, expulsando o inimigo e Ele santificou as águas da terra, porque Ele mesmo entrou nas mesmas para receber o batismo.
A graça do Salvador.
São Proclo afirmou que a terra e o mar repartiram entre si a graça do Salvador e o mundo inteiro encheu-se de alegria pelo batismo do Senhor no inicio de sua evangelização neste mundo. Este dia apresenta para todos nós grande profusão de milagres, de acontecimentos bonitos relacionados ao Senhor Jesus. O bispo tinha presente também o acontecimento do Natal. Se na festa do nascimento do Salvador, a terra alegrava-se por ter o Senhor no presépio, no meio de nós, o dia do batismo do Senhor também foi de Teofanias, manifestações divinas no Filho. Além disso o mar exultou de alegria e estremeceu de júbilo, porque recebeu a benção santificadora por meio do Rio Jordão, na qual o Senhor Jesus entrou nas águas.
Criança frágil – Homem perfeito.
Se na festa do Natal, a liturgia apresentou em Jesus, uma criança frágil, envolta em panos (cfr. Lc 2,7), no batismo do Senhor a cerimônia litúrgica colocou um homem perfeito, de modo velado manifestou a nós e a todo o mundo, a perfeição Daquele que precede do Ser perfeito, o Pai. Se na festa anterior, o Natal, pelo nascimento de Jesus, o Rei dos reis vestia a púrpura, agora pelo Batismo ao Rei, as águas do rio envolveram qual manto Aquele que é a fonte das águas.
A salvação para todos. O novo dilúvio é alargado.
O batismo de Jesus trouxe a salvação ao gênero humano. Todas as pessoas são convidadas pelo Senhor Jesus a viver as graças do Redentor, que são a paz, o amor, a salvação que provem Dele, pelo seu batismo, que ofereceu um beneficio universal. São Proclo também dizia que era importante contemplar o novo e admirável dilúvio, mais poderoso que o do tempo de Noé. Se no primeiro dilúvio a água fez perecer o gênero humano (cfr. Gn 7,23-24), agora pelo batismo do Senhor, a água do batismo, pelo poder Daquele que foi batizado por São João, chama os mortos para a vida. Se no primeiro dilúvio, uma pomba trazia no bico um ramo de oliveira(cfr. Gn 8,11), anunciando o odor de suavidade do Cristo, agora, pelo batismo de Jesus, o Espírito Santo vindo em forma de pomba, mostra-nos o Senhor cheio de misericórdia e de amor (cfr. Lc 3,22).
A iluminação dada no batismo.
São Gregório de Nazianzo, bispo no século IV afirmou que Jesus Cristo foi iluminado no batismo e nós seus fiéis recebemos com Ele, a luz. Jesus é batizado, nós desçamos com Ele às águas para com Ele subirmos livres do pecado e da morte. João batizava as pessoas e o Senhor Jesus se aproximou Dele, para assim santificar aquele que o batizava e sem dúvida para sepultar nas águas os pecados dos primeiros seres humanos, Adão e Eva. Antes de nós e também por nossa causa, Ele que é Espírito e carne santificou as águas do Rio Jordão, para nos iniciar aos sacramentos mediante o Espírito e água.
João e Jesus no batismo.
São Gregório teve presentes as atitudes de João e de Jesus. João relutou para ele ser batizado por Jesus, mas Jesus insiste no batismo feito pelo Precursor. A lâmpada disse ao Sol: “Eu é que devo ser batizado por ti” (cf. Mt 3.14). A voz à Palavra, o amigo do Esposo, disse o maior entre os nascidos de mulher ao Primogênito de toda a criatura, aquele que estremecera de alegria no seio materno ao que fora adorado no seio de sua Mãe.
Jesus saiu das águas.
O Bispo de Nazianzo disse que Jesus saiu das águas para elevar consigo o mundo que estava submerso e viu abrirem-se os céus de par em par, uma vez que o ser humano pelo pecado tinha fechado para si e sua posteridade, assim como o paraíso lhe fora fechado pelo pecado da desobediência (cfr. Gn 3,1-15).
Os testemunhos do Espírito e do Pai no batismo de Jesus.
No batismo de Jesus ocorreram as manifestações das Pessoas divinas. O Espírito acorreu Aquele que lhe é igual, dando testemunho da sua divindade. Mas também veio do céu uma voz, pois também vinha do céu Aquele de quem se dava testemunho (cfr. Lc 3,21-23). A visualização em uma forma corporal de uma pomba, o Espírito glorificou o corpo de Cristo, já que Jesus, por sua união com a divindade, é o corpo de Deus. O Pai pediu para que todos ouçam a voz do Filho, em unidade com Ele e com o Espírito Santo em vista da prática de suas palavras e de seu amor. O Bispo São Gregório convidava a todas as pessoas a veneração do batismo de Cristo Jesus e a celebrar com dignidade e amor a festa deste batismo, almejando a todas as pessoas à conversão de seus pecados e uma vida com fervor no coração e nas ações porque nós formos inseridos um dia, para sempre, pelo batismo, na vida da Trindade, como filhos e filhas adotivos e adotivas.