Marabá, 12 de julho de 2020

A Santíssima Trindade e a vida cristã.

02 de junho de 2020   .    Notícias da Diocese

Após Pentecostes a Igreja festeja o mistério da Santíssima Trindade, Deus Uno e Trino. Deus é um só em três pessoas. É o mistério inesgotável, infinito, mas presente em cada um de nós, nos irmãos e nas irmãs, em nossos corações. É o principio e o fim de tudo. Adoremos a unidade onipotente e a Trindade santa. Vejamos estas doutrinas presentes nos padres da Igreja, os escritores cristãos dos primeiros séculos do cristianismo. São João Damasceno, presbítero do século VIII, tinha presente a fé em um só Deus, único principio, privado de principio, incriado, indestrutível e imortal, eterno imenso, ilimitado, de infinito poder, simples, não composto, incorpóreo, imutável, impassível, invisível, fonte de toda a bondade e justiça, luz inacessível, fundadora de todas as coisas, seja daquelas visíveis que das invisíveis, providente de tudo, conservadora de tudo, com o reino perpétuo e imortal.

            O presbítero manifestou a sua fé em Deus ao qual nada se opõe, que preenche todas as coisas sem ser por nenhuma circunscrita, antes Ele mesmo tudo circunscreve, tudo contem e a tudo provê, que penetra todas as substâncias deixando-as intactas além de todas as coisas, transcendente a toda substância, superior a toda coisa, superior por divindade, bondade, plenitude, está sobre toda a ordem e a todo o poder, mais alto por essência, vida, palavra, inteligência. É o Deus que é a luz mesma, a bondade própria, a vida mesma, o ser mesmo, não recebendo de nenhum ser nem as coisas que existem, mas antes Ele mesmo é a fonte do ser por tudo aquilo que é, da vida, por tudo aquilo que vive, da razão por todas as criaturas que fazem uso. Ele acredita em um só Deus que é causa de todo o bem para todas as coisas, que prevê tudo antes que venha a existir, única divindade, único poder, única vontade, única atividade, único reino. Ele também acredita num único Deus conhecido na três perfeitas pessoas e venerado com um único ato de culto, objeto de fé e de adoração da parte de toda a criatura racional, e essas pessoas são unidas sem mistura ou confusão, separadas sem alguma distância no Pai, no Filho e no Espírito Santo, no nome no qual fomos batizados. Foi desta forma que o Senhor antes de voltar ao Pai pediu para que as pessoas fossem batizadas em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo (Mt 28,19).

            São João Damasceno manifesta a fé em cada pessoa. Acredita no único Pai, principio e causa de tudo, não gerado por ninguém, único salvador não causado e ingênito, criador de todas as coisas. É Pai por natureza do seu único Filho Unigênito e Deus o nosso Jesus Cristo, do qual vem o Espírito Santo. Ele também manifestou fé no Filho de Deus Unigênito, Senhor nosso, gerado pelo Pai antes de todos os séculos, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado não criado, consubstancial ao Pai pelo qual todas as coisas foram feitas. Ele também manifestou a fé no Espírito Santo, Senhor vivificador, que procede do Pai e reside no Filho, que junto com o Pai e o Filho é adorado e glorificado sendo substancial e eterno como eles, Espírito de Deus, justo, soberano, fonte de sabedoria, de vida e de santidade, que é chamado Deus com o Pai e o Filho, incriado, perfeito, criador que governa todas as coisas, onipotente, que diviniza sem ser divinizado, que santifica mas não é santificado, Paráclito porque acolhe as invocações de todos, da mesma substância com o Pai e com o Filho, vem concedido pelo Pai através o Filho e é recebido por toda criatura.

            Santo Ambrósio, bispo de Milão no século IV afirmou que não se pode comparar a geração divina com a humana, porque enquanto a humana tem o pai que passa para o filho e o filho que pode depois se tornar pai, aquela divina, há um só Pai e um só Filho. É impossível pensar o Pai sem o Filho de modo que convida o fiel em reforçar a sua fé e segui-los. O Filho é primogênito do Pai e é co-eterno ao Pai, que também é eterno. O Filho não está só, mas sempre está com o Pai pois Ele disse: Eu não estou só, pois o Pai está comigo (Jo 16,32). O Pai é só, porque não há que um só Deus; o Pai é só, porque não há que uma só divindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo e aquilo que é único é só. O Pai é só, só é o Filho Unigênito e só é também o Espírito Santo porque o Pai não é o Filho, nem o Filho é o Pai e nem o Espírito é o Filho. Uma pessoa é o Pai, a outra é o Filho e outra ainda o Espírito Santo. Portanto, o Senhor é verdadeiramente grande; difunde-se largamente a potencia de Deus, a grandeza da substância divina se estende sem medida. A Trindade não conhece limites, não tem fronteiras, não pode ser medida, não existe dimensões; nenhum espaço pode circunscrevê-la, nenhum pensamento abraçá-la, nenhum cálculo avaliá-la, nenhuma época modificá-la.

            Santo Agostinho reza à Santíssima Trindade no sentido da manifestação da fé ao nosso Deus, Pai, Filho e Espírito Santo. Pois o Filho disse que era para batizar a todos os povos, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mt 28,19). Tudo isso não teria dito se não fosse a Trindade. E o Filho não nos ordenaria que fôssemos batizados em nome de alguém que não fosse Senhor Deus. Nem a voz divina diria que Israel ouça o Senhor seu Deus pois é o único Deus (Dt 6,4), se não fosse Trindade e ao mesmo tempo, o único Senhor Deus. O Bispo de Hipona continuou a sua oração afirmando de estar em sua presença, a sua força e a sua fraqueza conservem a cura da sua fraqueza. Na sua presença, estão a sua ciência e a sua ignorância. Lá onde o Senhor abriu, permita que ele entre e lá onde o fechou, abre-se ao bater. Que ele se lembre do Senhor, que o compreenda e que o ame. O bispo pede a Deus para que o livre do muito falar, o que o atormenta, no interior de sua alma, mísera, na sua presença, mas que se refugia na sua misericórdia. Ele diz que são muitos os pensamentos dele, e o Senhor os conhece, pois são pensamentos humanos, que passam, vãos (Sl 93,11). O que se pode dizer das coisas e dos seres humanos é que Deus é tudo (Eclo 43,29). Quando chegarmos à presença do Senhor, cessará o muito que dissemos neste mundo, mas muito ficará por dizer, e Deus permanecerá só, tudo em todos (1 Cor 15,28) de modo que eternamente cantaremos um só cântico louvando o Senhor em um só movimento e estreitamente unidos. Termina a oração entregando-se nas mãos de Deus tendo presente a fé num único Deus, Deus Trindade, no qual tudo o que o bispo disse nos livros, do Senhor veio, e pede perdão que se há algo que veio dele, porque o louvor ao Senhor Deus Uno e Trino está sobre todos, amém.

            Vivamos o mistério do Deus Uno e Trino em nossas vidas para que assim tudo se transforme no bem e no amor ao Deus Uno e Trino.

Dom Vital Corbellini, Bispo de Marabá – PA.

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