Marabá, 12 de julho de 2020

Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus (Mc 12,13-17)

02 de junho de 2020   .    Notícias da Diocese

É o centro da Palavra de Deus da terça-feira da nona semana do tempo comum. O que ocorreu para que Jesus falasse dessa maneira? Segundo o evangelista Marcos, as autoridades de Jerusalém enviaram fariseus e herodianos para apanhar Jesus em alguma palavra, alguma afirmação, para ter motivos de o acusarem. Eles chamaram Jesus Cristo de Mestre, como aquele que ensina as pessoas no caminho do bem, da justiça e do amor. Eles deveriam ter ouvido falar de Jesus e tinham noções altas do Senhor, no sentido de que Ele é verdadeiro, não dando preferências para ninguém, na qual não olha as aparências do ser humano e ensina a verdade, o caminho de Deus. Tudo isso eles disseram a Jesus. De fato Jesus conduzia as pessoas para Deus mostrando-lhes o caminho de Deus, que é o caminho da conversão, em vista do dom da salvação, sendo o caminho feito de cruzes, de perseguições, de sofrimentos muitas vezes, feito também pelo amor a Deus, ao próximo como a si mesmo. Mas tudo isso foi uma introdução daqueles partidários para alcançar outra coisa tentando perceber nele, pela sua palavra, para apanhá-lo e quem sabe depois acusá-lo. Surgiu uma pergunta da parte deles para Jesus se era licito ou não pagar o imposto a César? Eles deveriam pagar ou não? O fato era que os fariseus eram contra os romanos, e, portanto não eram a favor dos impostos, enquanto os herodianos aceitavam a presença deles de modo que eram a favor dos impostos. As perspectivas colocadas a Jesus e as suas ambigüidades eram estas: se Jesus disse que era para pagar as taxas, os impostos, aquelas pessoas poderiam passar aos olhos do povo que o Mestre era um colaboracionista da dominação, mas se o Mestre dissesse que não era para pagar os impostos, as taxas, poderia ser acusado de subversivo diante das autoridades romanas.

Jesus chamou a eles de hipócritas, de pessoas falsas, que não viviam o que estavam pregando. Eles queriam tentar a Jesus, mas Jesus superou a tentação. Ele pediu que lhes trouxessem uma moeda para que Ele a visse. A figura e a inscrição eram de César. Em seguida Jesus foi claro ao responder-lhes às perguntas levantadas, pois é preciso dar a César o que é de César e é preciso dar a Deus o que é de Deus. Se existe uma ordem natural, social de autoridade para que seja seguida, deve-se dar a César o que é dele. É claro que Ele deverá trabalhar com os impostos, em vista do bem comum, a saúde, a educação, a moradia, o favorecimento aos pobres, aos povos indígenas, aos pequenos, a todas as pessoas, pelos impostos que recebe do povo em geral. Assim Jesus disse que é para dar a César o que é de seu direito. Mas as coisas param por ali? Não. Há outra ordem que é de Deus, de modo que é para dar a Deus o que é de Deus. A Deus deve-se dar o louvor, o agradecimento, a eucaristia, o culto, a palavra de Deus. Ele é o Criador de todas as coisas, e em seu Filho Jesus Cristo, se encarnou, deu-nos a salvação pela sua vida doada na cruz e ressurreição, e no Espírito Santo, deu-nos os sete dons para vivermos a paz e o amor junto às famílias, às comunidades e à sociedade. Deve-se dar a Deus o que é de Deus como o dia dominical, o amor ao próximo, aos pobres, aos necessitados. Assim a ordem natural também entra no ângulo de Deus, de dar as coisas que Ele merece porque tudo foi criado por Ele e para a sua glória. É claro que a pergunta interessa a nós no sentido do valor da autoridade. A resposta de Jesus para os partidários de Herodes e dos fariseus, vai ao centro da vida humana, no sentido da existência de que os direitos dados a César devem coincidir também com os direitos dados a Deus. Se há uma parte, existe também a outra parte. Se a pessoa dá um lugar a César, deve também dar um lugar a Deus, porque Ele é o Criador das coisas e de César. Neste sentido o cristão não pode dispensar o imposto a César, à autoridade para que governe com justiça, com políticas públicas e também não dispense de assumir o mandamento do amor a Deus, ao próximo como a si mesmo, da participação da vida da comunidade, da vivência do batismo, da crisma e da eucaristia.

Neste tempo de pandemia, de isolamento social, de solidariedade com os sofredores desta doença e de outras doenças e com os milhares de infectados e de mortes, deve-se dar o justo lugar seja a César na qual construamos um mundo melhor conforme o Plano de Deus, na colaboração e na ajuda também pelos impostos, mas também se deve dar a Deus, o nosso amor, a adoração, a oração, a participação nas celebrações, a construção de comunidades eclesiais missionárias, os valores da paz e do amor. Nós não somos isentos seja no governo, seja com Deus para que Deus Uno e Trino seja louvado em todas as coisas realizadas pelos seres humanos.

Dom Vital Corbellini, Bispo de Marabá – PA.

 

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